C. BRASILIENSE – Internautas são imprudentes na escolha de senhas e facilitam crimes

Se você é do tipo que coloca “123456” como senha e a utiliza para diferentes contas na internet, faz parte de um grupo numeroso de internautas vulneráveis a ataques de hackers. Um recente estudo, fruto da curiosidade da romena Sabina Datcu, Ph.D. em estatística e informática da BitDefender, descobriu o quanto as pessoas são displicentes na hora de proteger seus dados. Para se ter uma ideia, 73% dos entrevistados afirmaram usar o mesmo código para quase todos os cadastros virtuais, que incluem redes de relacionamento.

Uma simples pesquisa na internet revela esse aspecto. Quando a BitDefender estudou as “aquisições” dos cibercriminosos, descobriu muitas senhas iguais que funcionaram em vários sites e logins. No país, as senhas “brasil” e “futebol”, além da clássica sequência de seis números citada acima, apareceram entre as mais utilizadas. Há uma infinidade de senhas para memorizar, por isso muitas pessoas não só usam a mesma como criam códigos fracos. Opções com poucos caracteres e que se relacionam com informações públicas sobre você são boa oportunidade para os espiões da web atuarem. Nem mesmo os famosos são mais precavidos na hora da escolha. A exemplo de Barack Obama, Britney Spears e o apresentador Luciano Huck, que em abril teve a sua conta do Twitter invadida por hackers após descobrirem a senha: a data de aniversário do artista. Após o incidente, Huck teve o perfil devolvido.

A universitária Deborah Miranda, de 23 anos, não teve tanta sorte como o apresentador. Em uma viagem ao Espírito Santo, o acesso a contas pessoais em uma Lan House lhe rendeu dor de cabeça para muitas semanas depois de seu retorno à cidade natal. As senhas do Orkut, e-mail e MSN da estudante foram trocadas. “A pessoa que as alterou enviou mensagens no meu nome e deu o maior trabalho, pois tive que criar outros cadastros e enviar mensagem para todos os meus contatos explicando o problema”, descreve Deborah.

A estudante redobrou os cuidados após o incidente. Hoje, ela usa senhas com mais de 10 caracteres, normalmente com uma palavra seguida de números. “Não uso palavras muito óbvias, como nome de parentes e namorado. Também não deixo a opção ‘salvar senha’ e, depois de usar um computador de outra pessoa, limpo o histórico, por garantia”, detalha.

O mineiro Gustavo Carvalho também já teve contas hackeadas várias vezes. “Antes, colocava até meu aniversário como senha. Depois de perder muitos contatos, estou mais precavido. Hoje, para cada um dos 20 serviços de web que tenho, crio uma senha específica”, conta.

Na pesquisa de Sabina, foi aplicado um questionário com mil pessoas escolhidas aleatoriamente, de 16 países, com uma média de 29,5 anos de idade e uma proporção sexual de 1:1. O estudo revelou que a maioria (67%) dos usuários tem mais de cinco contas que pedem senhas. Apenas 1% do total de entrevistados afirmou ter alguma senha com 15 caracteres ou mais e somente 5% utilizam senhas complexas, misturando letras maiúsculas e minúsculas, números e caracteres especiais.

Códigos

Para a surpresa de todos, quando a entrevistadora perguntou a respeito da complexidade dos códigos, mais de 12% das pessoas deram suas senhas a ela. Eles diziam: “Minha senha é xvc840m (caracteres escolhidos ao acaso). Você a achou forte o suficiente?”.

As técnicas para roubar senhas são as mais diversas. Já reparou em companheiros observando você enquanto digita ou mesmo bisbilhotando suas coisas à procura de uma anotação qualquer? Cuidado com os pescadores de senhas! Existem aqueles que tentam adivinhar, testando número de celulares, data de nascimento, placa de carro, time de futebol. E há ainda quem instale programas espiões no PC.

Foi assim que B.P., universitária de 21 anos, conseguiu acessar as contas do seu noivo, sem que ele soubesse. Apesar de achar uma “total invasão de privacidade”, a jovem instalou um programa em seu computador que capta tudo o que é digitado, inclusive senhas. “Se não fosse meu noivo, eu não faria isso. A senha dele é imaginável. Fiquei surpreendida, é lógica com repetição de algarismo e não tem símbolo”, confessa.

Wanderson Castilho, perito em crimes cibernéticos, explica que, para recuperar senhas, cada site tem a sua política pré-definida. Segundo ele, a Microsoft tem um sistema em que é possível detalhar dados que somente o dono da conta saberia informar, como data aproximada em que criou a conta e contatos principais. Assim, por meio de um link, pode-se restituir o serviço roubado. Já o Gmail exige o número do celular na hora de criar o e-mail.

“Se for conta normal, sinto dizer que você a perdeu. A não ser que o ladrão virtual a difame. Aí você pode entrar com uma ação civil. Se for e-mail de empresa, por exemplo, você abre um processo judicial e gasta alguns milhares de reais… Sempre tem como descobrir quem roubou, porque o IP fica gravado, mas, se não tiver extorsão, não se configura crime. A senha frágil pode ser fácil de acessar hoje, mas será dor de cabeça amanhã”.

Segurança a toda prova

» Nada de senhas “manjadas”, como: futebol, 1, 2, 3, 4, 5, 6 (e variações), brasil, seu nome, qwerty (seis primeiras letras do teclado da esquerda para a direita).

» Use senhas diferentes em sites diferentes

» Use caracteres especiais, números e misture letras maiúsculas e minúsculas

» Guarde sua senha somente para você

Fonte: Correio Braziliense – 11/01/2011

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